29 de out. de 2013

Frases de Alice Munro


"Porque se ela deixasse de sofrer a sua dor nem que fosse por um minuto, esta iria atingi-la de forma ainda mais forte quando esbarrasse com ela novamente."


"Lembra-te que quando um homem sai do quarto, deixa lá tudo o que aconteceu... e quando é uma mulher a sair, leva tudo com ela."


"Na tua vida existem alguns lugares, ou talvez apenas aquele lugar, onde alguma coisa aconteceu, e aí estão todos os outros lugares.


"O amor deixa-te de fora do mundo, e é tão certo que tal aconteça tanto quando está a correr bem como quando está a correr mal."


"Poucas pessoas, mesmo muito poucas, têm um tesouro, e se tu o tiveres deves agarrá-lo com toda a força. Não deves deixar que te apanhem de surpresa, e que o levem de ti."

"Nós dizemos de algumas coisas que estas não podem ser perdoadas, ou que nunca nos perdoaremos a nós próprios. Mas fazemo-lo – fazemo-lo constantemente."


"Ela estava a aprender, já muito tarde, aquilo que muitas pessoas à sua volta aparentavam já saber desde a infância – que a vida pode ser perfeitamente satisfatória mesmo sem grandes conquistas."


"«O segredo é ser feliz», disse ele, «Não importa como. Simplesmente tenta. Tu podes. Vai-se tornando cada vez mais fácil. Não tem nada a ver com as circunstâncias. Nem conseguirias acreditar quanto bom isso é. Aceita tudo e então a tragédia desaparece. Ou a tragédia vai aliviando, de qualquer forma, enquanto tu estás ali, sem esperares demasiado do mundo»."


"Agora já não acredito que os segredos das pessoas sejam definidos e comunicáveis, ou os seus sentimentos plenamente amadurecidos e fáceis de reconhecer."


"A complexidade das coisas – as coisas dentro das coisas – parece ser infinita. Quero dizer que nada é fácil, nada é simples."


"A riqueza mais profunda e pessoal da segunda metade da sua vida são os seus filhos. Pode escrever sobre os seus pais quando estes tiverem falecido, mas os seus filhos continuarão a estar aí, e vai querer que eles o vão visitar quando estiver num lar."


"Porque é que é uma surpresa descobrir que outras pessoas além de nós próprios são capazes de dizerem mentiras?"


"Momentos de ternura e reconciliação valem sempre a pena ser vividos, ainda que a separação tenha que vir, mais tarde ou mais cedo."


"É certamente verdade que quando era mais nova, a escrita pareceu-me tão importante que eu teria sacrificado quase tudo por isso... porque eu pensava no mundo acerca do qual eu escrevia – o mundo que eu criei – como algo muito mais enormemente vivo que o mundo onde na realidade vivia."


"Eu nunca usei diários. Eu apenas me lembro de imensas coisas e sou mais egocêntrica que a maioria das pessoas."


"Eu quero que o leitor sinta alguma coisa de surpreendente. Não «aquilo que aconteceu» mas a forma como tudo aconteceu. Estes longos pequenos contos que escrevo são a melhor forma de o conseguir, para mim."

Fonte: http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/alice-munro

20 de out. de 2013

Escritora canadense Alice Munro ganha o prêmio Nobel de Literatura 2013

"Mestre dos contos", autora de "Felicidade Demais" é a 13ª mulher a receber o prêmio desde 1901 




 A escritora canadense Alice Munro, 82 anos, ganhou nesta quinta-feira (10) o prêmio Nobel de Literatura, atribuído pela Real Academia Sueca de Ciências. Definida pelo comitê como "mestre dos contos contemporâneos", ela é a 13ª mulher a ganhar o prêmio, que começou a ser entregue em 1901.

 A Real Academia disse não ter conseguido falar com Munro antes do anúncio oficial, como é de costume, e optado por deixar uma mensagem na caixa postal. Horas depois, em entrevista à imprensa canadense, a autora disse ter ficado surpresa com o prêmio, que definiu como "maravilhoso". "Sabia que estava no páreo, sim, mas nunca pensei que ganharia." 

 Munro tem obras traduzidas para mais de dez idiomas. No Brasil, foram publicados os livros "Ódio, amizade, namoro, amor, casamento" (2004), "Fugitiva" (2006), "Felicidade Demais" (2010) e "O Amor de Uma Boa Mulher" (2013).

 Para 2014, estão previstos os lançamentos de "Selected Stories", publicado originalmente em 1996, "The View of Castle Rock", de 2006, e o relançamento de "Ódio, amizade, namoro, amor, casamento".

 Munro também é conhecida pelo conto "The Bear Came Over the Mountain", publicado na revista norte-americana "The New Yorker", que em 2006 foi adaptado pela também canadense Sarah Polley para o cinema. "Longe Dela", escrito e dirigido por Polley e estrelado por Julie Christie, recebeu duas indicações ao Oscar.

 Antes do Nobel, Munro ganhou outros prêmios importantes como o Man Booker International Prize pelo conjunto da obra, o Commonwealth Writers’ Prize e o American National Book Critics Circle Award.


 Trajetória 

 Munro nasceu em 10 de julho de 1931 na província canadense de Ontario, onde se passam grande parte de seus contos. Sua mãe era professora e o pai, fazendeiro.

 Após terminar o colegial, começou a estudar Jornalismo e Inglês na Universidade de Western Ontario, mas abandonou a faculdade quando se casou com James Munro em 1951. O casal se mudou para Victoria, onde abriu uma livraria.

 Embora tenha começado a escrever na adolescência, Munro só publicou seu primeiro livro, "Dance of the Happy Shades", em 1968. A obra recebeu o Governor General's Awards, prêmio entregue pelo Conselho Canadense para as Artes. Sua coleção de contos mais recente é "Dear Life", de 2012.

 "Suas histórias muitas vezes se passam em cidades pequenas, onde a luta por uma existência socialmente aceitável costuma resultar em relacionamentos estremecidos e conflitos morais - problemas que passam por diferenças de gerações e conflito de ambições", escreveu a Real Academia, em nota.

 "Seus textos costumam narrar eventos cotidianos, mas decisivos, como epifanias que iluminam a história ao redor e permitem que questões existenciais apareçam", completou.

 Munro, que vive em Clinton, perto do local onde nasceu, afirmou recentemente que pretende abandonar a escrita. Ela já havia feito comentário semelhante em 2006, antes da publicação de "Dear Life", mas, em entrevista ao jornal "The New York Times" em julho, ela garantiu que desta vez é verdade: "Pode apostar dinheiro nisso." 

 Outros prêmios 

 Este ano, o Nobel de Física foi para François Englert e Peter W. Higgs, por suas descobertas teóricas sobre como as partículas subatômicas adquirem massa; o de Química para Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel, pesquisadores de modelos complexos; e o de Medicina para James E. Rothman, Randy W. Schekman e Thomas C. Südhof, por descobertas que ajudam a compreender o diabetes.

 O vencedor do Nobel da Paz, o único que é entregue fora de Estocolmo, será anunciado em Oslo, na Noruega, na sexta-feira (11). Três dias depois, a divulgação do ganhador em Economia encerrará a rodada de prêmios, que serão entregues no dia 10 de dezembro, data da morte do fundador do prêmio, o sueco Alfred Nobel, químico, engenheiro e industrial, conhecido também pela invenção da dinamite.


 


Veja a lista dos últimos ganhadores do Nobel de Literatura: 

  •  2012: Mo Yan (China) 
  •  2011: Tomas Tranströmer (Suécia) 
  •  2010: Mario Vargas Llosa (Peru) 
  •  2009: Herta Müller (Alemanha) 
  •  2008: Jean-Marie Gustave Le Clézio (França) 
  •  2007: Doris Lessing (Inglaterra) 
  •  2006: Orhan Pamuk (Turquia) 
  •  2005: Harold Pinter (Inglaterra) 
  •  2004: Elfriede Jelinek (Áustria) 
  •  2003: John M. Coetzee (África do Sul) 
  •  2002 : Imre Kertész (Hungria) 


 *Com Agência Brasil

 http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/livros/2013-10-10/canadense-alice-munro-ganha-o-premio-nobel-de-literatura-2013.html

14 de out. de 2013

Voar, apenas voar - Patricia Lettiere

zanauniv
Publicado em 06/10/2013






Autora: Patricia Lettiere

6 de out. de 2013

PROCURA-SE UM AMIGO



Procura-se um amigo
Que seja verdadeiro de alma;
Que não reclame por estar contigo;
Que seja onipresente mesmo
Que esteja ausente;
Que nunca o abandone
Nem o troque por outro.

Que o conheça apenas pelo olhar
Que saiba sorrir e chorar com você
Que tenha tempo para conversar
Que leia seus pensamentos
Mesmo daqueles que você tenta ocultar.
Que se importe com seus sentimentos,
Com você.

Procura-se um amigo
Que saiba ser amigo
Saiba o reconhecer como amigo;
Que os momentos a seu lado
Sejam sempre memoráveis;
Que o console
apenas com o olhar
Com o sorriso;
Que não deixe de ser amigo
Perante a morte.

Procura-se um amigo
Simplesmente
Que permaneça a seu lado
Nos bons e maus momentos
Que o faça
Sorrir ou chorar
Mas esteja sempre a seu lado.

Que divida com você o seu dia
Que o incentive
E o critique no momento oportuno.
Que o faça amigo
Que o aceite como é
Sem se importar com a opinião alheia
Que o alimente na alma
Não o exclua de sua vida.
Que seja leal.

E principalmente
 Que seja irmão
De alma.
(Kris Rikardsen)

13 de set. de 2013

Balanço da Bienal do livro 2013: a vez dos infantojuvenis

Se a Bienal do Livro de São Paulo de 2012 foi praticamente dominada pelas capas pretas do romance Cinquenta Tons de Cinza, que vendeu 2.200 exemplares e impulsionou o crescimento de 140% da Intrínseca no evento, o perfil dos campeões de venda da Bienal do Livro do Rio foi bem diferente. A ficção erótica de E.L. James sequer apareceu na lista dos cinco títulos mais procurados da Intrínseca, preenchida por dois romances para o público jovem de John Green, A Culpa É das Estrelas e Cidades de Papel, além dos também juvenis Extraordinário, de R.J. Palacio, O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick, e O Ladrão de Raios, o primeiro livro da saga de Percy Jackson, escrita por Rick Riordan.

Os livros infantojuvenis foram de fato dominantes nesta Bienal. Fenômeno do ramo, Paula Pimenta, colunista do site de VEJA, puxou o crescimento de sua editora, a Gutenberg, do grupo Autêntica, que quadruplicou seu faturamento. A editora não revela números de receita ou de exemplares comercializados, mas afirma que os livros de Paula, como a série Fazendo Meu Filme, foram responsáveis por 40% das vendas do estande.

Dos trinta títulos mais comercializados pelo grupo Record, que possui um selo voltado só para o público jovem, o Galera Record, 25 eram juvenis, entre eles os das séries Instrumentos Mortais e Assassin’s Creed. Dos brasileiros, os títulos mais vendidos foram A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, e Perdida e Procura-se um Marido, ambos de Carina Rissi. Puxado pela procura do leitor jovem, o faturamento da Record nesta Bienal foi 40% maior do que em 2011.

Os campeões de venda da Bienal 2012

A Rocco não ficou atrás nesse filão, já que quatro dos cinco títulos mais procurados durante a Bienal são juvenis: Ela Disse, Ele Disse – O Namoro, de Thalita Rebouças com colaboração de Mauricio de Sousa, As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky, Carnaval, de Luiza Trigo, e Divergente, de Veronica Roth. A editora cresceu 20% nesta edição do evento. A Companhia das Letras, com crescimento de 30% em número de exemplares vendidos, também teve como destaques dois livros juvenis: A Seleção e A Elite, ambos de Kiera Cass. Em seguida, vieram Toda Poesia, de Paulo Leminski, e Cada Homem É uma Raça, de Mia Couto.

Outros gêneros – O estande da editora Novo Conceito, premiado pela coordenação da Bienal como o mais bonito e organizado, teve crescimento astronômico, não só em metros quadrados – passou de 50 em 2011 para 200 nesta edição–, como em faturamento: 590%. Entre os títulos mais procurados pelo público estão os romances açucarados Uma Prova de Amor, de Emily Giffin, Um Porto Seguro, de Nicholas Sparks, e P.S. Eu te Amo, de Cecelia Ahern.

A Globo Livros faturou 41% a mais na Bienal de 2013 em comparação à anterior no Rio de Janeiro. Os títulos mais comercializados foram 1889, o último da trilogia sobre as datas que marcaram o Brasil no século XIX, escrita por Laurentino Gomes, O Silêncio das Montanhas, de Khaled Hosseini, e Kairós, do Padre Marcelo Rossi.

O grupo Objetiva, com crescimento de 30% em faturamento em relação a 2011, teve como os mais comercializados o erótico Peça-me o que Quiser, de Megan Maxwell, Entre o Agora e o Nunca, de J.A. Redmerski, e Detone!, de Ian. K. Smith.



7 de set. de 2013

FAZ DE CONTA

Vivo num mundo 
De faz de conta. 
Um mundo... 
Onde as pessoas ainda se importam com as outras; 
Onde o SER sempre é mais importante 
Que o TER. 
Onde AMIGO é realmente Amigo 
DE FATO. 
E não de ocasião. 

 Vivo num mundo 
 De Faz de Conta 
Num mundo mágico 
Onde sonhar ainda é permitido; 
Onde as aparências não imperam; 
Onde um sorriso é sempre um sorriso. 

 Vivo num mundo 
Onde não há ilusões, 
 Já que a verdade é sempre soberana. 
Onde o ato de confiar 
 Não traz consigo decepções. 
Onde não é necessário 
Construir muros, 
Muralhas; 
Onde se pode respirar livremente 
Sem tremer o inesperado. 

 No meu mundo 
Se pode sentir a brisa, 
Correr pela relva
 Se sentir criança.

(Kris Rikardsen)

11 de jul. de 2013

Relembre 10 momentos da Flip 2013

Edição teve ‘assembleia’ de Gil e Bethânia lendo Fernando Pessoa. Eduardo Coutinho, musa francesa e protesto na ponte foram destaques.
Cauê Muraro Do G1, em Paraty 

 Nem só de literatura viveu a 11ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que terminou neste domingo (7). Conforme se supunha já desde o anúncio da programação, a Flip 2013 deverá ficar lembrada por episódios que não envolveram discussões sobre “enredo”, “arco narrativo”, “personagens bidimensionais” ou “eu lírico”. Foi o caso do show de abertura, em que Gilberto Gil promoveu uma “assembleia” para resolver problemas técnicos. Ou do protesto que, na tarde de sábado (6), parou a ponte que leva à Tenda dos Autores, espaço central dos debates. A franco-iraniana Lila Azam Zanganeh chamou atenção pelos atributos estéticos e intelectuais. Diligente, deu palestra no idioma nativo. E entrou para a coleção de musas do evento. O próprio curador da Flip, Miguel Conde, confessou que a melhor apresentação a que assistiu foi de Eduardo Coutinho. Com seu “mau humor charmoso” (palavras de Conde), o cineasta foi aplaudido seguidas vezes. Especulou sobre os benefícios do cigarro e o vínculo com o budismo e fantasiou um mundo no qual seria ditador, aniquilaria emissoras de TV e seria deposto no dia seguinte. Pelos evangélicos. No que diz respeito ao (suposto) tema fundamental da Festa, sobressaiu o mexicano Juan Pablo Villalobos, por exemplo. Curiosamente, ele havia sido convocado às pressas para substituir um desistente, Karl Ove Knausgård. Cancelamentos de última hora, a propósito, foram outra característica da edição. Relembre, abaixo, dez momentos marcantes da Flip 2013. 


Assembleia de Gilberto Gil
Ao verificar o incômodo do público por causa de problemas técnicos no show de abertura da Flip, na noite de quarta-feira (3), Gilberto Gil propôs uma “assembleia”. O gesto tinha um tanto de diplomacia e outro de sarcasmo: "Qual é a queixa? É relevante ou é difusa como as manifestações?" No dia seguinte, já durante sua aparição na Tenda dos Autores, comparou protestos a “festas rave” e ao “carnaval de Veneza”. Ganhou palmas.


Bethânia e dona Cleo lendo Pessoa
Numa das mesas mais aplaudidas da Flip 2013, Maria Bethânia leu poemas de Fernando Pessoa. Foi acompanhada pela acadêmica Cleonice Berardinelli. Aos 96 anos, dona Cleo teve atuação bastante aprovada, não se deixando ofuscar pela cantora. Esta, ao término da declamação, que durou cerca de 1 hora, aproveitou para revelar o desejo de gravar um CD com obras do poeta português. Dona Cleo falou que topa formar uma dupla para o projeto. 


Protesto na ponte 
Os recentes protestos no Brasil interferiram diretamente na programação da Flip, que teve mesas extras dedicadas ao assunto. A manifestação, contudo, não ficou só no debate: no sábado (6), os paratienses resolveram saltar da teoria à prática e interditaram, por breves momentos, a ponte central da cidade. Bradavam por melhoras na segurança, na educação e no transporte marítimo. “Teca, teca, teca... Queremos biblioteca!” era um dos gritos de guerra. 


‘Stand up’ de Eduardo Coutinho 
Gênio no papel de entrevistador (ele prefere o termo “conversa”) e relutante no papel de entrevistado, o documentarista protagonizou uma das melhores mesas da Flip 2013. No sábado (6), fez o público gargalhar quando insinuou que a FlipZona – programação paralela voltada a adolescentes – poderia ser o espaço de “meretrício” de Paraty. Também afirmou não ser propriamente religioso, embora apele “a todos os santos” quando está num avião que enfrenta turbulência.


Tamim ‘envergonhado’ 
Escalado para a mesa “Literatura e revolução”, o cientista social e escritor egípcio Tamim Al-Barghouti conseguiu o mais difícil: sair de um Egito imediatamente pós-golpe. Mas falhou no mais fácil: se livrar de uma escala em Londres. Lá, teve o passaporte extraviado – não sabe se por perda ou furto –, e cancelou a vinda à Flip. No fim, o chamado “poeta da primavera árabe” mandou uma carta dizendo estar com vergonha. A desistência foi a última de uma edição que já tinha perdido o norueguês Karl Ove Knausgård e o francês Michel Houellebecq.


‘Graciliano nos representa’
A 11ª Flip precisou chegar ao último dia para que alguém ousasse na rima óbvia, mas oportuna, de Graciliano com Feliciano. Em boa mesa dedicada ao homenageado desta edição, o crítico Erwin Torrabaldo Gimenez mostrou ter senso de oportunidade, ao afirmar: “Graciliano, sim, nos representa”. Torrabaldo respondia a uma provocação do mediador José Luiz dos Passos. Um dos que melhor desempenharam a função durante os quatro dias de evento, Passos havia acabado de limitar o contato físico entre os participantes do debate a “beijo na boca”, eventualmente “de língua”.


‘Noruego x Carinha 
“Eu sei que vocês estavam esperando um noruego que devia ser alto, louro. E chegou este carinha aqui.” O comentário autoirônico de Juan Pablo Villalobos foi apenas o começo de uma das conversas que mais funcionaram na Flip 2013. Substituindo Karl Ove (o “noruego”), o mexicano dividiu cena com Tobias Wolff. Ao longo de debate, a dupla confessou mentiras e falou sobre como episódios de suas vidas podem resultar em literatura. Wolff confessou que o primeiro personagem que criou foi uma versão melhorada de si próprio – só que “bom atleta e mais inteligente”.


Lila musa e Francisco Bosco
Ela fala meia dúzia de línguas – incluindo um português bastante honesto e de sotaque francês – e começou a dar aulas em Harvard aos 23 anos de idade. Um currículo que, sozinho, é suficiente para causar impressão num evento literário. Mas a franco-iraniana Lila Azam Zanganeh causou boa impressão com as ideias defendidas durante a mesa na Flip. Francisco Bosco não ficou na posição de coadjuvante. O escritor fez uma brilhante exposição sobre a "literatura de prazer" e a "literatura de gozo".


‘Tarifa zero para poesia’
Tarifa zero para a poesia”, “O poema lido jamais será vencido”, “A poesia pede passagem grátis” e “Para o poema o vinagre é um milagre” foram alguns dos cartazes mostrados na Flip pelo autor cuiabano Nicolas Behr. Ele participou da mesa "Maus hábitos" com Zuca Sardan. Behr explicou que tem o “mau hábito” de ser marqueteiro : “Eu quero ser encontrado. Não estou num quarto escuro procurando uma forma de me matar. Quero ser convidado para a Flip e fui".


Flip ‘noveleira’
Nesta edição 2013, a programação paralela da Flip abriu espaço às novelas. Pela Casa do Autor Roteirista, passaram nomes como Lima Duarte e José Wilker, protagonistas do debate "Dias Gomes e o realismo fantástico de Saramandaia". Idealizadora do espaço e coautora da novela “Cordel encantado”, Thelma Guedes afirmou que o público é quem deve decidir se novela é ou não arte. "Não é porque você vai falar para um monte de gente que você vai fazer um trabalho sem qualidade, que não seja artístico."

10 de jul. de 2013

APRENDI

zanauniv
Publicado em 10/06/2013