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24 de jun. de 2014

Escritores falam de concursos literários e a dificuldade em publicar o primeiro livro

Diversidade de temas é a marca dos trabalhos dos mineiros


Ganhar um prêmio literário, principalmente quando o autor está tentando começar a carreira, não significa passaporte para a glória nem acesso imediato às grandes editoras, mas pode fazer uma diferença e tanto. Além de aumentar a autoestima do contemplado, dá a ele certa visibilidade e chance real de ver algumas portas se abrirem. Em Minas, há seis anos, essa oportunidade vem sendo oferecida aos candidatos a escritor por meio do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, na categoria Jovem escritor mineiro. Os candidatos apresentam o projeto e concorrem a uma bolsa de R$ 42 mil para poder, com tranquilidade, num período de seis meses, escrever o livro. Para concorrer ao prêmio, o postulante deve ter entre 18 e 25 anos, ser nascido no estado ou residir em Minas há cinco anos.

Um dos que souberam aproveitar a chance e há algum tempo vem colhendo os frutos do trabalho foi o escritor e psicanalista Carlos de Brito e Mello, vencedor da primeira edição do prêmio, em 2008, com o projeto do romance 'A passagem tensa dos corpos'. Mineiro de Belo Horizonte, ele teve o livro lançado no ano seguinte pela Editora Companhia das Letras, com ótima recepção de público e crítica, além de ser finalista dos prêmios São Paulo de Literatura, Portugal Telecom e Jabuti. Não teve dificuldades para lançar o romance seguinte, 'A cidade, o inquisidor e os ordinários', que saiu pela mesma editora no ano passado. Brito e Mello estreou na literatura em 2007 com o volume de contos 'O cadáver ri dos seus despojos', publicado pela Editora Scriptum.

Quem também está em fase de finalização do primeiro romance, mas ainda não tem editora, é o mineiro de Pouso Alegre Gustavo Fechus Monteiro, vencedor da mais recente edição do Jovem escritor, no ano passado, com o projeto O narrador, nome mudado para 'Óleo sobre tela – Edição comemorativa'. Graduado em letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), o escritor de 24 anos diz que o melhor prêmio é a aposta feita em um texto futuro. “Além de ser uma possibilidade, como é o meu caso, de poder sair do anonimato e talvez conseguir lançar o livro”, diz.

Ainda de acordo com Fechus, que estreou em 2010 com o livro 'Primeira pessoa', escrito em parceria com sua mãe, a escritora Gislaine Buosi, sua preocupação imediata é terminar de escrever Óleo sobre tela, ao qual vem dedicando boa parte do seu tempo. “O processo de publicação é um outro capítulo, talvez tão difícil quanto escrever, ainda mais para quem não tem experiência em lidar com o mercado editorial, como é o meu caso”, diz. Leitor assumido de autores como os argentinos Jorge Luis Borges e Macedônio Fernandez, Gustavo Fechus adianta, sobre o livro, que se trata de história comprometida com a narrativa de ficção e com a reflexão conceitual sobre os elementos que constituem o gênero.

Artista eclético e vivendo há sete anos em Mariana, o escritor, em paralelo à literatura, investe com sucesso na carreira musical, como violinista. No ano passado, foi vencedor do Prêmio Jovem músico BDMG, de música erudita, e este ano ficou com o Prêmio Jovem instrumentista BDMG de MPB. E já promete, para dezembro, fazer uma apresentação em Belo Horizonte. Quem sabe não lança o livro junto?


Um sonho

Quem também começa a ver realizado o sonho de publicar seu primeiro romance, 'O sonho de Morfeu', projeto com o qual venceu o Jovem escritor em 2011, é André Zambaldi. Nascido em Belo Horizonte, seu livro será publicado pela Editora Asadepapel, com lançamento previsto para o início do segundo semestre, com projeto gráfico de Marcelo Xavier. Formado em história pela Ufop, onde ficou amigo de Gustavo Fechus, Zambaldi conta que ganhar o prêmio significou uma mudança de perspectiva, um alento para algo que até então não passava de um sonho. “Só consegui a bolsa na terceira tentativa, já no limite da idade para concorrer, e tratei de aproveitar”, conta.

Especialista em história medieval, leitor de García Márquez, Umberto Eco, Dostoiévski e Saramago, André Zambaldi diz que começou a se interessar pela literatura jogando RPG com os colegas de faculdade. “Essa modalidade de jogo foi fundamental para que eu pudesse tentar desenvolver uma mentalidade criativa e crítica, além de me fazer interessar mais pela leitura”, revela o escritor.

Sobre 'O sonho de Morfeu', ele diz tratar-se de história que começou a ganhar corpo nos “conturbados tempos vividos em Mariana”. “O protagonista, estudante de um curso de humanas na cidade, sofre com os tormentos do excesso de conhecimento, materializados a ponto de se tornarem reais. Tentei, como Virgílio fez com Dante, levar o leitor a algumas regiões do inferno, vistas de maneira lúcida pelo personagem, que luta pelo controle da própria alma”, adianta André.


No caminho

Outro autor que está com o primeiro romance pronto, 'O frágil toque dos mutilados', com o qual faturou o prêmio em 2012, é Alex Sens Fuziy. O livro deve sair no ano que vem pela Editora Autêntica, com prefácio de Márcia Tiburi. Nascido em Florianópolis,Santa Catarina, em 1988, e há alguns anos vivendo num sítio em Delfim Moreira, no Sul de Minas, o rapaz conta que vencer o Jovem escritor deu a ele a certeza de que estava no caminho certo. “O prêmio me deu uma visibilidade interessante e necessária, consegui matérias em jornais e TVs, além do respeito de algumas pessoas envolvidas com o meio literário. Também me ajudou a conseguir a editora”, revela Alex.

Dizendo-se “escritor desde sempre”, pois começou a esboçar suas primeiras histórias aos 13 anos – na época adorava ler livros de mistério, suspense e terror – Sens Fuziy, antes de começar a escrever 'O frágil toque dos mutilados', lançou dois livros de contos, segundo ele de humor negro e realismo mágico: 'Esdrúxulas e Trincada'. Teve também poemas publicados em coletâneas e revistas literárias virtuais.

Sobre o primeiro romance, que reescreveu várias vezes, o autor diz tratar-se de drama familiar, que envolve um conturbado reencontro entre irmãos que não se veem há três anos. “Um deles tem um transtorno de personalidade e o outro é um alcoólatra em recuperação. Somei a isso uma trágica morte por afogamento em torno da qual gira boa parte das crises vividas pela maioria dos personagens. Não é um romance fácil, tem um ritmo de diário, porque a história é narrada durante 28 dias numa casa em frente ao mar, e carrega muitas das falhas e das dores humanas”, conta o autor.

Na companhia de Carlos de Brito e Mello, Marcelo Fechus, André Zambaldi e Alex Sens Fuziy estão ainda Maria Zilda Santos Freitas, que foi contemplada em 2009 com o projeto de romance 'Insetos', e Rafael Abras, que levou o Prêmio Jovem escritor em 2010. Nascido em Divinópolis, 26 anos, formado em filosofia pela PUC Minas, e atualmente terminando a faculdade de direito na UFMG, Abras conta que seu romance, 'O último escritor', está pronto desde 2011, mas ainda não conseguiu editora para publicá-lo. “Cheguei a enviar o livro para várias, mas não tive resposta de nenhuma. Acho que nem leram”, suspeita.

De bom astral, logo interagindo com os colegas presentes ao encontro na Livraria Scriptum, em BH, Rafael Abras diz ainda que tem muita vontade de lançar o livro. Mas não queria fazê-lo só por vaidade e aguarda que algum editor se interesse em publicá-lo. Sobre a premiação, disse que ficou muito feliz, pois não esperava sair vencedor. “Para mim, que uma vez ganhei zero numa prova no colégio por ter respondido a uma questão em versos, foi uma vitória e tanto”, conclui.


http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/arte-e-livros/2014/06/18/noticia_arte_e_livros,156393/escritores-falam-de-concursos-literarios-e-a-dificuldade-em-pubicar-o.shtml

18 de jun. de 2014

É APENAS UM CÃO...


Há não muito tempo,alguém me perguntou:
Você deixa de viajar por não ter com quem deixar sua cachorrinha?

Sorri, porque esse alguém apenas não entende o que é: - apenas um cão -

De vez em quando escuto alguém dizer: "Para com isso! É apenas um cão!"
Ou então: " Mas é muito dinheiro para se gastar com ele...é apenas um cão!"

Estas pessoas não sabem do caminho percorrido, do tempo gasto ou dos custos que significam "apenas um cão".

Muitos de meus melhores momentos me foram trazidos por "apenas um cão". Por muitas vezes em minha vida, a minha unica companhia era "apenas um cão"
Muitas de minhas tristezas foram amenizadas por "apenas um cão". E nos dias mais sombrios, o toque de "apenas um cão" me deu forças para seguir em frente.

E se voce é daqueles que pensam que ele é "apenas um cão", você também deve entender as expressões "apenas um amigo", "apenas um sol" "apenas uma promessa" etc...

"Apenas um cão" deu a minha vida a verdadeira essência da amizade, da confiança e da felicidade.

"Apenas um cão" faz aflorar compaixão e a paciência, que fazem de mim, uma pessoa melhor.

Porque para mim e para pessoas como eu, não se trata de "apenas um cão", mas da incorporação de todos os sonhos e da esperança do futuro. Das lembranças afetuosas do passado; da pura felicidade do momento presente.

"Apenas um cão" faz brotar o que há de bom em mim e dissolve meus pensamentos e as preocupações do meu dia.

Eu espero que algum dia , as pessoas entendam que não é "apenas um cão" , mas aquilo que me torna mais humano e permite que eu não seja "apenas um homem".

Então, da próxima vez em que você escutar a frase:
"é apenas um cão", apenas sorria para essas pessoas porque elas apenas não entendem.


PARA AJUDAR OS ANIMAIS NAO DEIXE PRA DEPOIS!

Autora: Momô Bittner

4 de mai. de 2012

Hoje!!

Marla de Queiroz

Porque eu tenho pesadelos que parecem tão reais
até quando você me abraça.
E eu acordo triste,
e brigo de verdade e passo o dia grave e dolorida
como quando a gente leva um tombo no piso liso…
que é só o passado.
É como se eu sentisse um ciúme horroroso 
do meu livro predileto comprado em sebo,
a dedicatória apaixonada que não é a minha,
os resquícios do manuseio de outras mãos.
Alguém corrompeu o trecho que eu mais gostava 
quando grifou à caneta algo que não pude apagar
com borracha e que era tão secretamente meu.
Desenhou corações onde só havia minha dor e
eu discordei da interpretação alheia. 
E achei aquilo tudo de uma crueldade atroz.
Mas permaneci com o livro no colo,
cheia de um afeto confuso por ele:
afeto pelo que era, angústia por já ter sido de outro alguém,
e aquela sensação (imbecil) de falta de exclusividade.
Eu que sempre achei que tudo é e está para o mundo.
Perdoa o meu senso de autoimportância, 
já que não consigo perdoar o meu egoísmo.
Eu sei que em alguns presentes, no embrulho,
laços do passado são aproveitados.
Eu só queria que eles não fossem tão vermelhos:
desses que doem nos olhos e no coração.

28 de abr. de 2012

Sobre a Renúncia


(Marla de Queiroz)

Renunciar a algo que amamos muito e
que desejamos com toda a força do coração
é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço.
Porque a perda equivale a uma morte dupla:
morrer para alguém e matar a pessoa na gente.
É como se sobrasse por dentro apenas um casarão vazio
com um jardim morto. E, de repente,
tudo tão subitamente anoitecido sem previsões de dia novo.
É um caminhar lento e arrastado numa espera sombria
de que as horas passem e o tempo leve
essa febre alta sem medicação possível.
É preciso que haja tanta paciência e firmeza por dentro
pra não entrar em desespero, que a sensação que se tem
é de estar meio fora do ar, com tanto esforço.
E até chorar fica difícil,
teme-se que nunca mais o choro cesse.

Há muitas perdas quando se termina algo
que não se queria ter terminado: muda-se a auto-imagem,
alegrias ficam suspensas, sonhos desaparecem por um tempo
e nenhuma cor na paisagem.
O cotidiano fica obscurecido por aquela lacuna aberta
no meio do que era a parte mais interessante dos dias.

Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante,
só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo:
seja um propósito, uma crença, um valor íntimo,
uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha
que já se sabia tão dolorosa. É um sacrifico voluntário
por algo mais pleno, mais grandioso em Beleza. E, nestas análises,
você descobre outras perdas que são positivas:
perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão.
E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas...

Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão:
“Deus, obrigada, porque é noite e eu tenho o sono...
Que venha um sonho novo, então.”

25 de abr. de 2012

Sobre medos…

Não sei se há verdade no que escrevo.

Há sentimento e uma vontade imensa de transmutar certas tristezas.

Mas verdade, talvez não haja. Não há uma real crença de que o texto esteja pronto. Não há um absolutismo nessa sensação que as palavras causaram montando uma história bonita. Às vezes, de tão insegura, por tanto medo de cambalear entre as palavras, risco o papel até rasgá-lo, tamanha minha força. Essa força que só quem tem muito medo dentro de si sabe usar).

Eu produzo porque tenho muito medo de ser inútil. Eu abandono quando sinto muito medo de ser rejeitada. Eu adormeço porque tenho medo de não encontrar paz em nada. E, de tão compreensiva sempre, quando tenho que me defender, só tenho vontade de agredir. Porque tenho o potencial de tanta raiva dentro de mim. (Eu me busco tanto em tudo que fiz da palavra “encontro” o fim da minha estrada. E sigo caminhando a esmo com a obstinação dos que não têm destino certo, apenas a intuição de que chegarão nalgum lugar que não se chame “cansaço”).

Não sei se há verdade no que sinto. Há sempre uma espécie de embriaguez fingindo alegria. Há sempre uma espécie de lucidez trazendo a raiva à tona. Há sempre uma espécie de entendimento que me deixa vulnerável, emotiva e crítica. Não sei se no auge da minha perspicácia eu admitiria tanta bondade, nem sei se vivendo o meu cotidiano com toda a minha racionalidade eu admitiria tanta ternura. Não sei se admitindo essas características em mim, quando tivesse essa oportunidade, eu seria menos carrasca.

Tenho tanto medo das palavras que machucam que evito meus mais sinceros xingamentos. Porque sei usar palavras pra ferir com todo o dom de um poeta.As mesmas que sempre pretenderam curar. Tenho muito medo da poesia que transfere o medo pro outro, e se vinga dele pra fazer doer de um jeito a dor que não se agüentou sozinho. (Essa que desestabiliza uma pessoa emocionalmente sem a menor culpa).

Na verdade, se é que há alguma, acho que tenho direcionado muita energia pros meus medos.Talvez por isso, eles tenham sido as forças mais presentes no meu cotidiano.E tenham feito do meu coração um ser tão assustado, com tantos sobressaltos.(Por isso, talvez, minhas taquicardias pelo meu mais puro amor tenham parecido apenas maus-presságios).

(Marla de Queiroz)


15 de mar. de 2010

O PODER DO POETA

Texto de Claudia Banegas


Escrever é uma arte.
Estar aberta à inspiração é estar sensível para captar as idéias, em um determinado momento, o qual não se espera.
Ele simplesmente surge, do nada.
Se nos esforçarmos para escrever, nada vem, porque não é assim. As palavras não podem ser espremidas, coladas à força, em uma tentativa vã de criar algo produtivo.
As palavras são tão sensíveis quanto o coração de um poeta.
Elas vão e vêm, em um bailar delicado e suave, como borboletas, esperando serem admiradas.
E quando a sensibilidade do autor se encontra com a delicadeza das letras, tudo se transforma.
O milagre acontece.
As palavras tomam vida.
O que era preto e branco, fica colorido.
O que era nublado, recebe raios de sol.
O que era inverno, se torna verão.
O poeta deu à luz.
E que poder é esse, o de criar?
Nós, poetas, geramos textos, contos, crônicas, histórias que só existiam antes, apenas e tão somente, na nossa imaginação, mas que tomaram forma e agora, existem na imaginação de multidões.
É o poder de multiplicar.
Multiplicar sonhos, visões, idéias.
É o poder de dividir.
Dividir os sentimentos e o calor das emoções, através de letrinhas que unidas formam sentenças, que penetram na mente e no coração do leitor.
É o poder de subtrair.
Tirar a tristeza, a falta de esperança, a agonia, a angústia.
É o poder de somar.
Adicionar um novo alento, uma nova canção, um novo objetivo.
O poeta tem poderes nas mãos.
Nossos dedos correm soltos, ávidos para chegar ao fim da criação.
E quando chegamos ao fim, mal vemos a hora de começar tudo outra vez.


http://www.autores.com.br/20070930224/Cronicas/Cronicas/o-poder-do-poeta.html